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Friday, November 6, 2015

Halloween 2015 (06/nov/2015)

 Prelúdio:
O texto a seguir foi escrito por mim e as ilustrações que o acompanham foram desenhadas por mim.
No texto, nenhum nome foi citado; Nas ilustrações, a caracterização e fantasias das pessoas foram trocadas; E eu peço encarecidamente para que aqueles que sabem quem são as pessoas descritas nesse texto ou que as identificaram por terem estado lá nesse mesmo evento, que por favor, mantenham-se discretos! Ou seja: Nenhum comentário ou fofoca a respeito.

Grato pela compreensão!


 AMCAOS: Halloween 2015
Semana passada eu fui em um evento "Halloween" que na verdade é uma festividade folclórica estrangeira.
Há uma certa resistência por aqui em aceitar tal festividade pois ela coincide com uma festividade folclórica nacional que é o Dia do Saci.
Eu concordo com essa resistência sobretudo quando o assunto é idioma, e uma mania irritante que o meus conterrâneos têm é de ficar colocando termos estrangeiros, majoritariamente em inglês, em seus discursos, logomarcas, propagandas e etc... Eu acredito que isso deturpe o nosso idioma que é muito mais rico que o inglês, porém as pessoas por aqui não se dão conta disso. Eu tenho muito o que falar sobre esse assunto mas não hoje. Vou apenas dizer que eu aceito o tal do "Halloween" mas eu sou a favor de chamá-lo de Dia das Bruxas.
Eu acho que ambas festividades podem coexistir, pois o tema do "Halloween" é terror e espanto, certo? Mas eu vejo que muita gente vai fantasiada como se fosse uma festa à fantasia normal, do tipo tema livre. Então, por que não convidarmos o Saci para a festa e chamarmos tal festividade de "Dia das Bruxas" ou "noite do espanto"? Assim teríamos algo mais nacionalista e agradaríamos aos dois lados.
Dentre as várias coisas e costumes que o meu país imita deturpadamente dos países estrangeiros desde os tempos que aqui ainda era colônia, eu digo que o Dia das Bruxas é o que eu mais gosto, pois é uma noite em que eu posso ser eu mesmo sem causar o espanto que eu normalmente causo nos demais dias do ano.
Eu estou sem carro desde Fevereiro desse ano. Ele quebrou uma peça muito cara e eu não estou em condições de repará-lo no momento. Como eu moro em bairro afastado da cidade, eu estou nesse período dependendo de carona de amigos para sair. E para essa festa, eu vou de carona com esse meu amigo de longa data que possue uma moto.
Ele é muito bom amigo! Sempre animado e alegre, mas ele é muito enrolado! Atrasou duas horas para chegar aqui. Na ilustração acima, eu sou o que está dando um esporro nele pelo atraso pois devido ao evento e a banda que tocaria no bar naquela noite, nós teríamos que chegar cedo ou correríamos o risco de ficarmos para fora pois a casa certamente lotaria. E ele é esse que está aí, rindo como sempre.
Chegamos lá e a fila lá fora era imensa! Como eu jamais tinha visto naquele bar. A própria fila já era uma ópera de horrores. Todos fantasiados conforme o tema. Lá dentro, estava abafado de tanta gente, e se locomover ali dentro era um desafio com tantos chapéus de bruxas, foices de mortes, e outros apetrechos das fantasias mais ousadas. Foi impossível me manter próximo do meu amigo então logo nós nos separamos.
Assim que teve o intervalo da banda, momento o qual é possível conversamos pois a música alta some e a maioria das pessoas saem do bar para fumarem, eu pude me aproximar de uns amigos para cumprimentá-los. Sem bajulações, eles estavam com fantasias muito criativas as quais eu elogiei. E nesse momento, uma moça que eu vejo muito pouco nessas baladas, me cumprimentou com um adjetivo de extremo mau gôsto. Parecia até que ela queria começar uma briga ao invés de me cumprimentar. A princípio eu pensei que ela estivesse me tratando daquela forma por alguma coisa que eu pudesse ter escrito nas redes sociais ou no meu site, ou então por besteiras que eu digo em meus vídeos mais recentes.
Eu então a ignorei e fui cumprimentar a amiga dela que estava logo ao lado e a elogiei dizendo-a que ela estava linda. Essa moça se enfiou na minha frente de novo e perguntou-me "E eu? Não estou linda?", e eu sem hesitar disse com secura "Não!" Eu dei um passo à frente para cumprintar a segunda amiga, e enquanto eu fazia isso, a primeira amiga fez uma cara de reprovação da minha resposta, e abraçou-a como quem a confortasse. Quando eu recuei aquele passo, eu me virei novamente para essa moça e a amiga que permaneciam lá com aquelas caras, eu disse-a: "Chamando-me "disso" (citando o tal adjetivo), não há beleza que perdure!". Virei-me e saí dali. Fui dar uma volta pelo bar aproveitando o momento de silêncio para cumprimentar meus demais amigos e conhecidos.
O intervalo terminou, a música alta recomeçou e junto com ela a aglomeração de pessoas diante do palco. Eu continuei caminhando pela casa até que ela apareceu. A minha amada. A minha preferida. A moça a qual tem sido meu primeiro e último pensamento dos meus dias nesses últimos 14 meses.
Eu tive o privilégio de poder observá-la um pouco antes que ela me notasse e viesse me cumprimentar. Nessa ilustração eu mostro um pouco de como eu a vejo. É como se ela brilhasse em uma cor diferente de todo o resto. É como se as pessoas ao seu redor ficassem borradas ou sem detalhes, pois toda vez que eu a vejo, minha concentração se volta a ela assim tornando tudo à sua volta supérfulo e irrelevante.
Eu a cumprimentei com um beijo e abraço, embora não tão calorosos e ardentes quanto eu gostaria que fossem. Não havia muito o que ser conversado ainda mais com a música naquela altura. Mas eu fiquei ali perto, saboreando a sua proximidade, admirando a sua beleza.
Tudo seria muito bom, a questão é que ela continua teimando em beijar aquele cara. Em levar adiante aquele relacionamento não-assumido. Mas o que eu posso fazer? Ela é livre para escolher e fazer o que ela quiser com o seu corpo, a sua vida e o seu tempo que só anda para frente. Afinal, ela está na idade de fazer isso. Idade na qual não se percebe que estresse é venenoso. Idade na qual não se dá conta do quão catastrófico se relacionar com pessoas erradas pode ser. Idade na qual não se escuta conselhos em relação a esses assuntos.
Eu tenho o grave defeito de não impor minhas vontades a uma mulher. Digo "defeito" pois eu reparo que essa característica masculina, por mais que as mulheres se queixem dela, é imprescindível para que um homem se dê bem em um relacionamento. Vejo que só os homens mais do tipo mandões e impositores que acabam se casando e se multiplicando. Há dois anos eu escrevi um longo texto sobre isso. Na ocasião, minha paixão era por outra, mas os meus obstáculos, dificuldades e indagações são sempre os mesmos.
Embora eu deixe a mulher que eu gosto livre para escolher e fazer o que ela quiser, eu não vou mentir em dizer que não são todos os dias que eu consigo assisti-los se beijarem. E quando aquela tortura começou, eu me afastei dali.
E esse foi o momento em que a minha noite acabou. A partir dali, tudo o que eu fiz foi fingir sorrisos. E como eu não sou muito bom nisso, algumas pessoas perceberam e me perguntaram o quê é que eu tinha.
Fui lá para fora na área de fumantes para tomar um pouco de ar fresco e dar um descanso para os meus ouvidos. Ao chegar lá, re-encontrei meu amigo. Não há muita surpresa nisso pois ele fuma.
Ele saiu há pouco tempo de um longo relacionamento, e nada mais natural que ele queira voltar à vida de solteiro e correr atrás do que ele tem direito.
Eu sinceramente o invejo em certos momentos. Pois diferente de mim, ele não é muito seletivo. E tãopouco ele é apegado a uma mulher em especial. Ele sai de um relacionamento e entra em outro com a mesma facilidade com que ele apaga um cigarro e acende o próximo.
Então, eu bem que poderia pensar como ele em um momento como esse e mandar tudo à merda pois já que como quem eu quero está beijando alguém agora, eu vou é beijar alguém também. Certo?
Confesso que "pensar" eu até pensei, mas eu não consegui colocar em prática. Primeiro porque uma das minhas exigências para eu beijar uma mulher é que ela não beba bebida alcólica e nem que fume, e convenhamos que só por partir desse princípio já torna BEM menores as chances de eu encontrar alguma mulher que me agrade por aqui.
Eis aí um outro ponto que eu invejo o meu amigo às vezes: O fato dele beber bebida alcólica e de fumar, faz dele alguém com uma facilidade bem maior em se misturar com essas pessoas. Eu sou um cara bem mais articulado do que ele, mas ele "fala melhor a língua" dessas pessoas. Em um momento ele está ao lado de uma moça estranha e no outro ele está quebrando o gelo por trocar goles e tragos com a mesma.
Essa ilustração originalmente eu iria fazer com ele junto e as outras duas moças, mas eu não sei bem qual é a relação dele com o cigarro, pois ele fuma assumidamente há anos, porém ele nunca se deixa ser visto pelo seu filho enquanto fuma. Ele não esconde do filho esse fato. O filho sabe, porém não visualmente. Então, por precaução, eu decidi não o desenhar na cena do fumo. Pois eu não sei se o filho dele irá eventualmente ler esse texto um dia.
Acabou a bebida e ele entrou com uma das moças novamente no bar para comprar mais. Eu fiquei mais um tempo ali, embora o papo não estivesse muito interessante, estava melhor do que o som alto lá dentro, pois naquele momento eu ainda buscava por uma paz em meus pensamentos. Tentava ignorar a taquicardia e incômodo que eu sentia no peito por ansear estar ali com quem eu realmente queria.
Olhei para o alto, e soltei o ar dos pulmões como quem quisesse se purgar dos pensamentos ruins e esquecê-los juntamente com o novo ar entrando na inspiração seguinte, e nisso meus olhos pararam na lua que estava bem grande no céu. Com nuvens bem definidas ao redor, como se tivessem sido pintadas à mão e colocadas propositalmente lá. Mas isso é apenas a minha mente de desenhista que fica calculando todas as formas que vejo. Pois supondo que eu fosse desenhar aquela cena, eu de fato estaria colocando cada nuvem eu seu lugar conforme a minha vontade.
Olhei para baixo de novo em direção à rua pois o som de risadas de mulheres me chamaram a atenção. Eram três moças vestidas de bruxas que estavam bêbadas tentando entrar em um taxi. Eu ali, parado, com as mãos nos bolsos, introspectivo como freqüentemente costumo ficar, estava com o corpo semi-anestesiado pelas coisas que eu estava indagando-me enquanto eu olhava para a lua. Eu permaneci nesse estado dormente enquanto me entretia por observar aquelas três bruxinhas fazendo aquela bagunça para entrarem no taxi. Rindo de si mesmas, rindo quando uma delas caía, rindo pela outra não conseguir ajudá-la a se levantar. Viajei por um momento em quão gostosa aquela amizade me parecia ser. Viajei também em quão bem eu me senti por curtir aquela cena, e nesse momento eu dei um breve sorriso. Senti uma breve leveza. Mas não durou muito pois o meu pensamento seguinte foi de lembrar que elas estavam assim somente por estarem fantasiadas. Que no dia seguinte elas estariam de volta às suas roupas coloridas.
Esse é um ponto curioso sobre esse vazio que eu sinto, e que nessa noite do ano com esse folclore estrangeiro eu sinto o mesmo ligeiramente tapeado e esquecido por um momento. Pois apesar de todas as fantasias serem muito criativas e divertidas, as fantasias menos exageradas como as das bruxas, das vampiras ou das góticas que simplesmente usam uma roupa preta e fazem uma pintura um pouco mais forte ao redor dos olhos, me fazem me sentir "em casa" por um momento. Pois essas pessoas se vestem da maneira que eu chamo de "normal". Esse é o bem-estar que essa festividade me causa, mas em contra partida, é uma data muito traiçoeira para mim pois se eu conheço um novo alguém, eu tenho a falsa impressão de que essa pessoa se identifica com as mesmas cores e vestimentas que eu, mas no dia seguinte lá estará ela vestida como quem quisesse se disfarçar de próximo, e assim, sumir na multidão.
Entrei no bar novamente, e entendi o porquê do meu amigo estar demorando tanto a voltar lá para fora. Eu o vi beijando "delicadamente" a moça que entrara com ele para comprar mais bebida. (Sim, eu sei, a ilustração ficou meio exagerada, mas eu não resisti. Hehehe). Quando vi essa cena, logo pensei "Lá se vai a minha carona!"
Fui então lá para cima. Gosto de ficar em um determinado ponto que dá para ver praticamente o bar inteiro em uma panorâmica só. Fui curtir o resto do espetáculo já que não me restava muito o que ser feito.
Às vezes a minha preferida aparecia no meu campo de visão. Eu a observava sempre que podia. Absorvendo cada detalhe, compreendendo novos aspectos de sua imagem caso eu venha a desenhá-la um dia.
Eu me perguntava por que ela me faz tão bem? É Natural que eu queira me aproximar de algo que me faça bem, mas por que eu simplesmente não posso? O quê é que o Destino está tentando me dizer com isso? Lembrei-me novamente daquela entidade e do que ela me disse conforme eu escrevi e ilustrei no mês passado. E então eu olhava para a minha favorita lá embaixo, conversando com seus amigos, dançando e curtindo a apresentação da banda, e tentava empregar a técnica de ficar repetindo para mim mesmo aquelas palavras a fim de vê-la como uma qualquer. Como uma comum. Como mais um rosto na multidão. E nossa! Eu não conseguia! Como pode? O quê é esse estado em que nossas mentes entram quando estamos apaixonados por alguém, que até as pessoas mais racionais e calculistas como eu não conseguem evitar?
Acabei me cansando e decidi descer de novo, e quando eu larguei o corrimão e me virei em direção das escadas, aquela moça que me insultou quando eu a cumprimentei, estava ali, prestes a tocar no meu ombro para me chamar. Ela queria se desculpar. E me pediu um abraço.
Eu a abracei, e o acontecimento foi bem como eu desenhei na ilustração acima. Luzes pontuais e fracas perto de nós, uma parede lisa ao fundo, e só. Mas acontece que isso não foi o que eu vi. Afinal eu estava olhando para uma outra parede, e do corpo dessa moça eu via somente parte de seus cabelos e também via parte de meu antebraço esquerdo quando eu espalmei minha mão atrás de sua cabeça. Teria sido ridículo se eu tivesse desenhado isso. Não ilustraria como foi.
E essa ilustração é para mostrar o que eu estava sentindo. Isso seria mais ou menos a imagem que se forma na minha mente para as coisas que os olhos não captam. É como se fosse apenas a consciência sobre as coisas, por isso que não há sobreamento, apenas linhas imaginárias que delimitam os objetos e corpos. Essas linhas ficam flutuando em um vazio. E nada disso na verdade tem "cor", então nem o fato de serem preto ou branco condiz com o que eu "vejo" na minha mente, mas essa é a forma mais próxima que eu encontrei de "traduzir" isso para os olhos.
O abraço foi longo. Embora eu já tenha escrito sobre o risco de se abraçar alguém por mais de oito segundos, eu não sinto nada de especial por essa moça. E ainda que sentisse, eu não conseguia tirar a outra da minha cabeça. Essa moça é bonita, é saudável, é gostosa de se abraçar, sobretudo porque ela abraça com vontade. Eu pensava que aquele era um abraço de perdão, pensava em como era bom conseguir perdoar alguém, em sanar uma situação chata, e que seria bom ter esse sentimento por todos, e daí e me perguntei por que eu não consigo fazer isso com certas pessoas que me magoaram? Se todos nós seremos como aquele cara famoso que morreu na cruz, eis aí um ponto que eu preciso aprender para poder ser como ele. Certas mágoas são realmente difíceis de serem perdoadas.
Antes mesmo que eu pudesse ter qualquer pensamento malicioso em relação àquela moça, eu comecei a sentir uma estranha força nos separando. Algo que me puxava para trás. Algo que me incomodava em continuar abraçando-a. Algo que me fizesse sentir como se ela fosse proibida de alguma forma.
Eu soltei o abraço e ela continuou a falar sobre o caso e a se justificar sobre aquilo, e eu virei minha cabeça para trás e abaixo e olhei para um certo ponto da multidão. Nesse ponto da multidão, lá ao longe, havia um cara olhando de volta para mim. Algo curioso: Ele era o único cara olhando de volta para mim. E algo ainda mais curioso: (E eu não espero que pessoa alguma que estiver lendo isso acredite nisso), mas eu juro que o primeiríssimo ponto da multidão que eu olhei quando me virei foi entre os olhos desse cara. Então, para quem estiver lendo-me agora, pode achar isso curioso ou inédito, mas eu, com o tempo de vida que eu tenho, já estou familiarizado com isso e sei muito bem o que isso significa.
Eu não entendia mais o que ela me dizia pois minha mente se pôs a buscar respostas: Eu primeiramente notei que eu conhecia aquele cara. A distância, a falta de luz e a fantasia, me fizeram levar um certo tempo para reconhecê-lo; Ele e ela, apesar de freqüentarem os mesmos bares que eu, não são pessoas que eu vejo sempre. Eles são muito mais presentes na minha vida pelas fotos e pensamentos escritos em redes sociais do que no convívio ou confraternizações, então nada mais natural do que eu não ter todas as informações sobre eles assim tão claras na minha mente; O pensamento seguinte foi lembrar que algum amigo que temos em comum, tinha me dito por uma fofoca qualquer, que eles estavam namorando; Então eu me virei novamente para ela, e eu a interrompi perguntando-lhe se ela ainda estava namorando com o "Fulano", e ela disse que não. Perguntei-lhe "Há quanto tempo"? E ela respondeu-me "Em tôrno de um mês". Eu perguntei-lhe se tinha sido ela quem terminara com a relação e ela confirmou-me. Perguntei-lhe o porquê e ela explicou-me. O motivo me pareceu besta. Pequeno. Coisa pouca. Perguntei-lhe então qual era a idade deles e ela me disse e daí muito se explicou. Dei-lhe então uns conselhos, disse-lhe que isso é simples de se resolver, e eu a sugeri que voltasse com ele. Que desse uma nova chance à relação.
Ela desceu novamente e eu decidi ficar ali mais um tempo. Fiquei pensando nisso tudo. Fiquei pensando na preocupação dele em ficar repetidamente olhando para nós. Fiquei me colocando no lugar dele, tentando me lembrar de quando eu tinha a sua idade, e o valores que eu tinha quando passei por essa fase. Lembrei-me que foi nessa fase que eu namorei pela última vez. Que foi justamente nessa idade que eu perdi uma mulher que eu gostava muito para um grande amigo meu na época. Lembrei-me de quanto isso era importante para mim e o quanto eu padeci por isso.
Eu desci, fui para outro canto do bar, apreciei a banda mais um pouco, e fiquei me perguntando "por quê?". Essa perguntinha maldita que há muito me atormenta! "Por quê?". Essa perguntinha que não me deixa ser feliz. Que não me deixa experimentar nem vivenciar uma série de prazeres da vida. De curtir o aqui e agora, pois boa parte desse bar não se lembrará no dia seguinte. Que não me deixa simplesmente chegar na primeira moça que estiver me dando mole e começar a beijá-la "delicadamente" tal qual o meu amigo AINDA estava fazendo.
Eu sou um cara bonito, alto, inteligênte, articulado e por enquanto eu não aparento a idade que tenho. Eu não falo isso por estar me gabando nem por estar sendo modesto. Eu tenho consciência do que eu sou e possuo. Sei que há outros cara bonitos e até mais bonitos do que eu naquela mesma festa, mas boa parte deles perde o flerte a partir do momento que abrem a boca. Eu observo as pessoas, e é notável a nuance no sorriso de uma mulher quando esse começa a se desmanchar conforme ela escuta as asneiras de um homem que está tentando conquistá-la. Os homens geralmente não têm esse "tato" para essas nuances, e como ainda ficam embriagados para terem coragem para conversar com elas, esse pouco de "tato" desaparece por completo.
Naquela noite, eu conheci muita gente nova. Muitas moças bonitas. E em boa parte delas eu fiz surgir aquele brilho de encanto no olhar conforme eu conversava, fiz abrir largos sorrisos, fiz aparecer expressões de surpresa e de desejo. Eu poderia perfeitamente bem ter dito a mim mesmo um grande "foda-se tudo!" e ter beijado uma delas. Mas eu não consegui porque eu não conseguia parar de pensar nela. A imagem do primeiro instante em que eu a vi naquela noite ficava se repetindo em minha mente. Memórias do que aconteceu juntamente com a imaginação do que eu desejava que tivesse acontecido a seguir. E são em momentos assim que eu percebo uma coisa que eu gostaria que não fosse verdade: Eu sou monogâmico quando estou gostando de alguém.
Pode ser que se uma dessas moças tivessem me causado um bem-estar, tal qual ou maior do que a minha atual favorita me causa, eu até teria a beijado. Mas não aconteceu. Aliás não tem acontecido nos últimos meses. Afinal, eu tenho esse problema: Eu sempre me apaixono por figuras bem raras, diferentes ou únicas. Portanto superá-las, não é tarefa fácil.
Essa moça, a minha atual favorita, toda vez que eu a vejo em um evento qualquer, e que ela me cumprimenta, que ela me olha nos olhos e sorri, que eu escuto a sua vóz, que eu sinto o seu cheiro, que eu sinto na minha pele a delicadeza de seus toques e gestos juntamente com maciez de sua pele e cabelos, é como se todas as demais mulheres daquele ambiente se tornassem feias.
Eu conheço-a há 17 meses, foi aproximadamente há 14 meses que comecei a reparar que isso acontece sempre que eu a vejo, e foi pouco depois disso que eu reparei que estava gostando dela e que ela então passou a ocupar o pôsto da Favorita que fica em um quarto-sala especial dentro de algum lugar da minha mente.
Desde que isso aconteceu, eu não tenho me relacionado com outras moças. Embora eu até tente às vezes, como em certos dias em que parece que estamos carentes de carícias, beijos e abraços e até mesmo de sexo, nos quais parece que nós saímos de casa única e exclusivamente com esse intuito. Como dizem por aqui: "Sair para caçar". Mas isso não tem acontecido. Ela está sempre lá comigo em pensamento. Dificultando-me em encontrar graça em qualquer mulher que seja. E em dias em que ela está fisicamente por perto, ou seja, no mesmo evento, de forma que eu tenha a visto momentos antes ou que eu ainda a tenha em meu campo de visão conforme converso com uma outra moça qualquer, essa dificuldade fica absurdamente maior!
Para a descrição desse efeito que ela me causa eu vou deixar apenas as minhas palavras, pois se eu fosse usar meus desenhos, sendo que esse texto fala de uma noite temática de "terror e espanto", iria ficar muito confuso. Porque o que eu sinto é como se as demais mulheres tornam-se feias como "zumbis" quando eu estou sob esse efeito. E lá nessa festa havia muitas mulheres fantasiadas e maquiadas dessa forma.
O fato dela estar "sempre lá comigo em pensamento", não tem sido ruim para mim. De forma alguma! Eu sou muito grato por isso pois pensar nela me acalma. Já escrevi isso algumas vezes por aí. Já expliquei isso em conversas com os meus amigos mais próximos e confidentes. Talvéz repetirei isso mais vezes no futuro. Eu sou muito frustrado com uma série de aspectos da minha vida, tal qual muitos de (senão todos) nós, e eu na minha maneira particular de lidar com isso, eu atribuo a culpa a mim mesmo. E como eu não recorro a drogas, álcool, ou qualquer outra forma de entorpecimento a fim de esquecer por um momento ou ignorar essas coisas as quais eu não consigo mudar, eu então me culpo muito e tenho pensamentos depreciativos contra mim mesmo, os quais aumentam ainda mais o meu estresse, e assim não fica muito difícil de afirmar que tais pensamentos são nocivos. E desde que ela passou a ser a minha favorita, eu passei a ficar a salvo desses pensamentos. Eu não me culpo mais, não me menorprezo mais, eu não me deixo ficar irritado, justamente porque eu quero me tornar alguém melhor para poder estar com ela. Então eis aí o motivo de eu ser grato por tê-la conhecido e por sentir isso por ela.
Mas isso só é assim no cotidiano. Em dias que eu esteja trabalhando, ou cozinhando, ou consertando algo, etc. Pois em dias de carência e solidão, devido ao fato de eu ter esse aspecto monogâmico e eu não fico desejando estar "com alguém", eu fico desejando estar "com ela". Então esses pensamentos param de me acalmar pois começam a me causar angústia. Eu começo a me sentir um perdedor, um incompetente, o último dos homens, por não estar conseguindo algo muito simples: Ter ela comigo.
No momento eu só posso fazer é esperar e manter a esperança, pois tudo o que eu podia fazer eu já fiz. Nesses últimos seis meses, conforme meu desejo por ela atingiu níveis em que eu não conseguia mais me conter, eu acabei deixando claro o meu afeto por ela. Não somente por gestos e atitudes, mas sim por verbalizar o que eu sinto. Dizem que eu agi de forma tola, pois não se faz isso "no jogo da sedução", e é aí que eu rebato contra essa afirmação pois eu não sou homem de jogar! Para mim, ela não é peça de um jogo. O que eu quero ter com ela, não se trata de uma simulação! Uma coisa que nós temos em comum é um apreço muito grande pela verdade. Portanto nada mais coerente do que eu querer seduzi-la fazendo o uso da mesma! Eu sou um homem que fala a verdade! Ponto! Essa é a minha natureza! Ponto! Se verdade espanta as mulheres em geral, pois então que eu morra sozinho! Ponto!
Com essa verdade lançada, e sabendo-se que uma relação a dois do tipo "saudável" é feita com 50% de cada um, fica assim constatado que a minha metade já foi feita. A metade dela em decidir se sim ou se não, cabe a ela somente. Se a verdade também a espanta, ora, pelo menos eu não pequei por omissão como outrora já o fiz e arrependo-me amargamente. Portanto no presente momento eu preciso é deixar esses pensamentos de lado e tentar curtir a noite.
Em um certo momento, eu vi aquele cara da multidão. O tal ex-namorado da moça que me insultou. E eu senti que deveria conversar com ele. Ele parecia-me ligeiramente embriagado, portanto não sei se ele se recordará da conversa que tivemos. Mas conforme a conversa se desenrolou e abordamos o assunto do seu relacionamento com aquela moça, e em função daquele motivo "pequeno" que ela tinha me dito, eu dei a ele uma dica de conduta para que ele consiga refletir a respeito, portanto melhorar ou consertar de vez o motivo que levou ao término do namoro.
Eu não disse a ele coisa alguma que ela e eu tínhamos conversado lá em cima, e sei que isso não era assunto meu, mas acho que por eu me identificar com a dor dele e justamente por eu não gostar de sentir a mesma, foi o quê me fez achar correto conversar com ele sobre isso. De dar-lhe esse conselho e de, tal qual eu fiz a ela, de incentivá-lo a dar uma outra chance àquele relacionamento. Pois em função do que eu senti por conta do olhar dele naquela hora em que eu a abraçava, eu percebi que o que ele sente por ela não é coisa pouca! Aquele cara realmente gosta dela.
Talvéz outro detalhe que me tenha feito agir assim, foi que eu também me identifiquei com a fase que ele está por ser dez anos mais novo do que eu. Foi na idade em que ele está agora que a minha vida afetiva começou a dar errado. Foi quando eu perdi a fé em algo que eu queria muito e dava muita importância. Então, pode até ser que eu tenha agido errado, mas eu assim o fiz como se eu estivesse tentando voltar atrás dez anos no tempo para corrigir um erro. Eu sei o quão amargo é esse sabor, e não quis que ele passasse por isso. Então eu encerrei dizendo a ele: "Eu também gosto de algúem e a vejo beijando outro cara. Tu és um cara muito legal e tu não mereces passar por isso. Então dá outra chance a esse vosso relacionamento!"
Dentre as várias moças interessantes que eu conheci naquela noite, eu afirmo sem sombra de dúvida quê: A que mais me fez a noite valer a pena, foi uma baixinha.
A vantagem de eu poder desenhar é que eu consigo passar uma idéia mais precisa de como ela era, pois se eu simplesmente escrevesse aqui que ela era "baixinha" a maioria que for ler esse texto vai pensar em uma "mulher baixa". Alguém em torno de 1,50m a 1,60m de altura. Só que isso é ainda muito "comum" para ser comparado com ela. Pois essa moça na verdade possui hipoptuitarismo. Uma disfunção extremamente rara que faz com que o corpo não se desenvolva muito além da infância. Em outras palavras, ela se parece fisicamente com uma criança.
Eu primeiramente perguntei se ela achava ofensivo alguém se agachar para conversar com ela, e ela disse que não mas já começou a falar do que ela realmente não gosta na atitude das pessoas em relação a ela. E nisso então eu me agachei e tive uma longa conversa com ela.
É incrível a sensação de olhar para uma criança mas de se estar na verdade conversando com uma mulher de 21 anos de idade. Porque não é só o fato dela ser uma mulher, é o fato dela ser uma mulher sensata, madura, lúcida, focada e com personalidade. Em um mundo no qual eu sou sufocado por uma infinidade de mulheres com corpos exuberantes que se "esqueceram de crescer", eis ali diante de mim uma mulher que se esqueceu de crescer porém "maior" do que a maioria das que estavam ali naquele bar. (Atenção para as áspas, hein!)
Espero poder vê-la mais vezes e saber mais sobre aquele enorme universo que cabe dentro dela o qual a noite não foi longa o bastante para ela me contar. Ela foi-se embora mas me deixou o seu contato.
A festa acabou; Meu amigo, a moça que ele beijara e suas amigas, um casal e eu quisemos prolongar a noite e fomos para um pôsto com loja de conveniência 24 horas perto dali. E eis então que a noite, agora clara, ficou ainda mais chata. Pois houve mais bebedeira, mais falação de m...sofismas, e mais porquices de gente bêbada... e eu por não beber álcool, fico achando aquilo tudo ainda mais surreal. Foi nesse momento, em que passou por ali um cara, mais velho do que eu, com uma certa notoriedade na cidade. Eu particularmente sempre o tive como um exemplo de personalidade forte e autêntica, mas naquela manhã eu conheci um lado dele que eu não imaginava. Vi uma certa fraqueza perante tanta força.
Ele parou um pouco para conversar conosco, um assunto puxou o outro, e por conta de uma pergunta que eu o fiz, ele começou a se queixar de seu fardo nessa vida e chegou ao ponto de começar a chorar.
Eu fiz essa ilustração porca, somente com o olho em evidência, pois eu não quero que ele seja identificado. E tãopouco entrarei em detalhes sobre as coisas que ele abriu sua alma naquele desabafo. Mas o que ficou claro para mim, é que ele sente a pressão de que não pode falhar, pois se ele o fizer, ninguém o ajudará. Ele se sente sozinho nessa luta diária, sobretudo porque ele, assim como eu, optou por não ter filhos. Optamos basicamente pelo mesmo motivo e conclusões que tiramos ao longo de nossas vidas: Esse mundo é doente! Colocar filho nele é puro sadismo!
Eu me senti mal por isso. Afinal, ele é um cara sempre alto astral e adorado por todos, e se não fosse pela minha pergunta, ele não teria caído nesse vortex mental e não teria chorado daquela forma. Mas eu acho que nada é por acaso. Pois eu tive uma revelação ali: Se eu o tive como um exemplo e optei por um caminho semelhante, talvéz então aquilo que eu vi nos olhos deles naquela manhã seja um reflexo do que eu me tornarei um dia.
Aquela situação ali realmente se tornou insustentável para mim e portanto eu quis ir embora. Conheço muito bem esse meu amigo, e percebi pela cara dele que naquele momento ele estava sob a forte influência do poder que um rabo-de-saia tem sobre ele. Então eu decidi ir embora a pé mesmo. Despedi-me de todos e tive uma longa caminhada de volta para casa, com muitas coisas para refletir a respeito.
Aquele insulto, embora ela tenha se desculpado, ficou martelando na minha cabeça. Algo me dizia que aquilo não era à toa; Também não me saia da cabeça os momentos em que minha favorita ficava trocando beijos e carícias com aquele cara; A essa altura eu já não podia mais negar o fato de que a noite tinha sido frustrante para mim; Naquele gôsto amargo que noite me deixara e eu já em um estado mais para irritadiço do que para deprimido, voltei a pensar sobre as coisas de forma mais prática e racional a fim de encontrar uma solução para que isso não se repita.
Eu já vi isso antes! Ela não é a primeira moça por qual eu me apaixonei. Ela não é a primeira a ter escolhido um outrém. Ela não é a primeira a não ficar comigo para ficar empurrando com a barriga um relacionamento não-assumido. E seguindo o andamento da minha vida, nessa redundância nojenta com a qual o Destino fica me mandando dicas e indiretas, e também seguindo a ordem natural das coisas, não é difícil de prever que já já ela estará grávida desse cara, se vendo já há dez anos com ele, e quando ela decidir assumi-lo ainda terá a audácia de me convidar para o seu casamento. E quem sofre sou eu! Pois sou eu quem as levo a sério, sou eu quem me recordo de cada uma de suas palavras e de cada fase desses seus relacionamentos cínicos que de forma lenta e latente as envolvem e as prendem como raízes de uma árvore que crescem por debaixo da terra: Quando se dá conta, já está bem entrelaçado e forte demais para se soltar! E elas ficarão lá, seguindo tranqüilas com suas vidas nas quais eu não estarei fazendo parte. Tãopouco estarei fazendo parte de suas lembranças.
Essa moça conflita com a sua mãe, e sem que ela perceba, ela leva um relacionamento que se espelha no que sua mãe leva com seu pai. Isso é mais comum do que se pensa. As pessoas tendem a repetir o Karma de seus pais. Só os mais esclarecidos, ou ligados à psicologia e filosofia que conseguem se desvincular disso. E eu não posso me esquecer de que ela é um universo à parte do meu, e que portanto ela precise passar por isso. Ela está em seu tempo certo de perceber que não se agride os pais pelo que são ou pelos seus erros, por se relacionar com certas pessoas! Afinal são a vida e o tempo dela própria que estarão em jogo, e não a dos pais! Isso é o mesmo que dar socos em pedra e esperar algum outrém se machuque com isso. Essa metáfora só fica clara depois que envelhevemos, pois enquanto jovens, faz total sentido continuarmos socando! E ela talvéz ainda leve mais uns dois anos para entender isso, e eu nem sei se estarei aqui quando isso acontecer. Então eu realmente preciso esquecer-me dessa moça. Agir como um egocêntrico e seguir meu caminho!
Mas até quando eu seguirei fazendo isso? "Tendo que esquecer"? Até quando eu terei que seguir levando todas as etapas para se conhecer alguém especial, de me afeiçoar por ela, e em um determinado ponto, ao invés de me envolver com ela, eu tenha que começar a rezar para esquecê-la e pedir para o Destino que em um futuro qualquer, quando a minha prometida aparecer, que ela tenha esse, esse e esse aspecto dessa pessoa? Em outras palavras: "Ah! Eu não posso tê-la como namorada? Então eu quero que um dia eu tenha uma namorada que seja legal como ela, bonita como ela, que fale como ela, que caminhe como ela, que tenha os cabelos como o dela, etc etc...".
Até quando eu terei que ficar me escondendo até que uma geração se renove? Até quando eu terei que ficar mudando de cidade para me esquecer de alguém? Até quando eu terei que ficar sempre posteriorizando a minha vida desse jeito?
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