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Sunday, February 8, 2015

08/fev/2015 [PT]

E então uma vez mais me vejo caminhando à noite, sentindo um clima que há muito não sentia.
Não sinto mais medo como outrora, porém o que sinto talvéz seja ainda pior.
Percebo a luz mudar, e tudo a ficar mais claro.
Olho para o alto e percebo que trata-se das nuvens que dispersaram revelando-me que era noite de Lua cheia.

Um local e iluminação que me são bem familiares, porém algo me incomodava dessa vez. Certamente foi a nostalgia que aquela situação me proporcionou fazendo-me lembrar de outras épocas, de um outro "eu".
Tornei a olhar para baixo. Fiquei olhando por um tempo para a minha sombra projetada no chão. Lembrei-me que nesses outros tempos eu era apaixonado pela minha sombra.
Não só pela minha sombra, mas por mim mesmo. O tal do "orgulho" que todos os jovens têm.
Olhei então para as minhas mãos, contemplei-as à luz da Lua. Minhas tão criticadas unhas estavam lá, lembrando-me da promessa que fiz na última vez que estive ali. Promessa a qual completará vinte anos daqui a poucos meses.

Refletindo a respeito, vejo como é intrigante a maneira como as coisas tendem a perder seus sentidos nessa vida. O que eu buscava me era muito lógico, sensato, concreto e grandioso. Julgava-me alguém digno e correto, portanto merecedor daquilo que buscava. E hoje o que sobra são ecos em minha mente de palavras por mim proferidas em meus surtos de orgulho, perdendo seus sentidos a cada vez que elas se repetem, e a solidez daquele meu objetivo-maior parece-se mais com uma cenoura pendurada na ponta de uma vara amarrada à cabeça de um cavalo a cada passo que eu dou em sua direção.
Meus olhos começaram a lacrimejar, e eu perdi as forças de me manter em pé.
Ajoelhei-me e chorei.

Chorei uma dor a qual não sei mais a onde eu estou carregando. Curvei-me diante o peso de meu arrependimento. Chorei por aqueles cujas as mágoas que eu causei, eu não tive tempo de me desculpar. Chorei por estar perdido e sem chão. Chorei por não poder "des-aprender" certas coisas que aprendi.
Eu amava a noite, a Lua, os campos. Amava a felicidade que eu sentia em decorrência do vazio que existia em minha mente. Certas noites eram tão mágicas que era como se eu sentisse a luz da Lua descendo pelo ar e tocando tudo à minha volta. Mas desta vez, a luz me machucava. O silêncio me machucava. Ser "eu" me machucava.

"Orgulho hoje, arrependimento amanhã!" eu costumava falar, sem saber que na verdade eu estava era a profetizar, pois nessa noite eu entendi bem o que esse "eu" queria dizer.

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