
De repente eu estava olhando para esta porta. Era a porta de entrada de algum apartamento ao final do corredor. Eu pudia ver todos os seus detalhes, tais como a maneira como fôra construida, todos os painéis de madeira, sua maçaneta, e quando eu prestei a atenção nos veios de madeira, o espaços entre eles começaram a aumentar, acrescentando seu contraste. Eles continuaram a crescer fazendo com que os veios estourassem para fora da porta na forma de incontáveis pequenas farpas de madeira. A porta agora tinha uma aparência agressiva, cheia de farpas apontando em minha direção e um monte de farpas também se despejando pelo chão e atingindo as proximidades de meus pés. Parecia que a madeira estava apodrecendo extremamente rápido.

A porta tornou-se muito feia e escura. Então, como se eu fosse capaz de ver atravéz dela, o formato de um corpo humano começou a aparecer por de trás da mesma. Este estava como se estivesse se arrastando pelo chão e tentando alcançar esta porta. Conforme esta visão tornava-se mais clara, eu podia notar que aquilo era uma uma mulher. Ela estava desesperada, chorando e fraca. E então ela começou a vomitar bastante. Seu vômito esparramou-se pelo chão tal qual aquelas farpas da porta.

Independente do fato que eu estava olhando para uma porta, eu pude notar claramente o olhar em seu rosto. Seus olhos chorando e esta visão terminou por uma visão bem próxima de seu olho esquerdo.

No momento seguinte, eu notei-me em um local diferente. Este parecia um mercado, mas era escuro como um clube noturno. O teto era bem baixo. Havia muita gente lá e algumas estavam conversando comigo, como se estivéssemos no meio de uma conversa, mas eu não podia me lembrar o quê tinha acontecido antes daquilo, e ainda assim eu não podia ir além com a conversa pois agora eu estava preocupado com aquela moça naquele apartamento.
Eu olhei para o longe, e aqueles à minha volta estavam me olhando como se estivessem esperando por uma resposta minha. E então eu falei com uma olhadela "Com licença mas eu tenho que ir.".
Eu olhei para o longe, e aqueles à minha volta estavam me olhando como se estivessem esperando por uma resposta minha. E então eu falei com uma olhadela "Com licença mas eu tenho que ir.".

Eu deixei aquele lugar e corri para as escadas. Eu subi o mais rápido que pude enquanto dizia em meus pensamentos "Agüenta aí! Eu estou indo! Eu estou indo!" e então eu podia ouvi-la em meus pensamentos porém eu não conseguia distingüir as palavras Mas era incrível como eu podia sentir precisamente a distância remanescênte entre nós por ouvir sua voz na minha cabeça.

Quando eu cheguei, eu abri lentamente aquela mesma porta de minha visão, e agora eu podia ouvi-la mais por meus ouvidos do que por minha mente. Eu ainda não podia distingüir suas palavras mas eu posso afirmar que era como se ela estivesse cantando. Como se estivesse falando consigo mesma deste jeito.

O apartamento estava uma bagunça, e as paredes estavam cheias de fotografias, anotações e manchas em vermelho-forte. Quando me ocorreu o pensamento de que aquelas manchas em vermelho-forte poderiam ser sangue, eu coloquei minhas mãos em ambos os lados de minha cabeça próximo à área de minha testa, e pensei comigo "O quê ela fez?" E eu hesitei em andar adiante pois eu temia o que eu poderia ver a seguir. Então eu disse "Cristina?", ela disse "Sim?", então eu andei um pouco mais para que eu pudesse vê-la.

Ela estava apenas parada lá, olhando de volta para mim, braços ao lado de seu corpo, vestida somente com um blusão azul que nela servia como um vestido. Seus braços estavam, tal qual as paredes, todos cobertos com manchas em vermelho-forte. Então eu a perguntei "O quê tu estás fazendo?", e ela disse "Pintando."

Eu senti um certo desequilíbrio emocional no tom de sua voz, e conforme eu mudei minha expressão facial pelo alívio em saber que aquilo tudo era tinta e não sangue, ela veio em minha direção e abraçou-me.

Enquanto abraçava ela, eu prestei a atenção às manchas próximas das fotografias e notei que havia uma mesma palavra escrita várias vezes, uma após a outra, e lendo aquilo e entendendo coisas das fotos e de toda a situação, com lágrimas em meus olhos e segurando a parte de trás de sua cabeça com minha mão direita eu perguntei-a: "Por que tu te odeias tanto?".

E então eu acordei.
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Ás
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Ás
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